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Eutonia, uma alternativa menos dolorida para os tratamentos musculares

Eutonia, uma alternativa menos dolorida para os tratamentos musculares

Com movimentos mais simples e menos esforço, tratamento defende “descoberta” do próprio corpo e promete os mesmos resultados de outros métodos clássicos.

No primeiro contato, a palavra assusta, e poucas pessoas associam a eutonia com algum tratamento de saúde. Desenvolvida pela fisioterapeuta alemã Gerda Alexander em meados de 1950, o objetivo da técnica é proporcionar ao corpo uma tensão muscular na medida exata para que o praticante possa entrar em contato direto com todas as partes do organismo.

Complicado? Para a psicóloga e eutonista Alaíde de Lima Régio, de São Bernardo, a atividade, apesar de lidar com conceitos complexos, privilegia os movimentos espontâneos do ser humano, ao contrário de outras técnicas, como a fisioterapia, que podem exigir movimentos mais específicos e, portanto, mais doloridos.

A eutonia ajuda as pessoas a reencontrarem as origens de sua espontaneidade, a despertarem o desejo de livre criação, o lúdico nas relações de grupo. A improvisação de movimentos livres, que leva a formação de movimentos próprios no espaço. Sob a orientação do professor de eutonia, o aluno tende a desenvolver sua consciência, sua independência e autoconfiança perante a vida”, explica a especialista. Os atendimentos, que podem ser em grupo ou individuais, são descritos pelos eutonistas como “explorações” ou “pesquisas”.

Com o auxílio de bolinhas de borracha, bambus, sementes, almofadas, pedras e até tecidos, o praticante é estimulado a utilizar suas percepções sensoriais e o funcionamento do seu próprio corpo, sempre com a orientação do eutonista.
Tão variados quanto os métodos são as indicações. A eutonia promete resultados em casos de doenças ósseas e musculares (como artrites e tendinites), problemas de postura, estresse, insônia, digestão, circulação e pode ser usada durante a gravidez como preparação para o parto.

Alaíde também destaca que a eutonia, como toda especialização médica, só pode ser transmitida por profissionais capacitados. “O eutonista passa por uma formação profissional de quatro anos, que inclui aulas de anatomia, pedagogia, neurologia, patologia, fisiologia, psicologia e física, além das aulas práticas, onde aprendemos a preparar o corpo para as atividades”.

Para Thania Siqueira Lazzeri, praticante de Eutonia, a combinação de movimentos suaves com a orientação de um profissional capacitado deu resultados. “Comecei a fazer eutonia bem cedo, pela manhã, e a sensação de ‘tirar o peso das costas’ descreve a sensação que tinha”, comenta a publicitária. “No início, fiquei um pouco dolorida, porque acredito que os músculos ainda estavam tensionados. Com o tempo, depois de três ou quatro semanas, as dores que sentia no dia-a-dia melhoraram bastante”.

A advogada Célia Amaral de Assis Moura, de 68 anos, apostou na eutonia pra resolver um problema de dor na região cervical. “Eu já tinha procurado um médico, mas ele não constatou nenhum problema na coluna”. Ela diz que a terapia fez mais do que o esperado. “O resultado da eutonia me surpreendeu. Melhorei das dores e aprendi a conhecer o meu corpo porque os exercícios não ficam circunscritos à região que apresenta o problema”, explica Célia.

A empolgação com o tratamento foi tanta que a advogada foi além e passou de paciente à aluna da técnica. “Fiquei tão entusiasmada com a prática dos exercícios que freqüentei um curso sobre eutonia na PUC (Pontifícia Universidade Católica). E continuo a praticar em casa, pois ajudam na flexibilidade e proporcionam bem estar”, conclui a advogada.

Nem tudo é moleza – Mesmo com tantos argumentos favoráveis, a eutonia é um dos muitos tratamentos considerados “alternativos”. Por isso, a prática pode envolver críticas e criar polêmicas entre os mais céticos.
A fisioterapeuta Karla Guimarães, de Mauá, que admite não ter muito contato com os métodos da eutonia, considera válida esta curiosidade pelos novos tratamentos. “O interesse por essas práticas novas é justificável. Muita gente acaba atraída por elas por serem, à primeira vista, menos doloridas e exigirem menos esforço do paciente”.

Esta aparente facilidade, entretanto, acaba prejudicando a imagem destes tratamentos. “A ioga é um bom exemplo. É uma técnica que demorou milhares de anos para ser desenvolvida. E, para praticá-la, é preciso dedicação, estudo e comprometimento, o que muitas vezes vai levar ao esforço físico e emocional. Não é só sentar e relaxar uma vez por semana”, comenta a fisioterapeuta.

Qualquer que seja o tratamento, a fisioterapeuta diz que o recomendável é procurar profissionais com experiência e formação teórica adequada. “Muitos instrutores, buscando uma aceitação de um maior número de praticantes, acabam desvirtuando as técnicas originais, com isso o tratamento acaba não gerando o resultado esperado, o que frustra o paciente e acaba prejudicando a imagem das técnicas novas”, conclui.

FONTE: Universidade Metodista

LINK:

http://www.metodista.br/rronline/noticias/saude/pasta-2/eutonia-uma-alternativa-menos-dolorida-para-os-tratamentos-musculares