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Imagem corporal de bebês reflete o pensamento das mães sobre alimentação

Imagem corporal de bebês reflete o pensamento das mães sobre alimentação

Distúrbios alimentares na adolescência são um tema constante na sociedade atual, que encontra a origem dessas alterações em fatores que vão desde a educação aos novos hábitos. A saúde do jovem é colocada em questão, com exemplos extremos de anorexia e de obesidade. Mas o que é despertado com a leitura da dissertação “Percepção materna sobre a imagem corporal do filho em aleitamento materno exclusivo”, da enfermeira Joana Lidyanne de Oliveira Bezerra, é a imagem corporal dos bebês.

Durante os primeiros anos da infância, a imagem corporal do indivíduo é o que a mãe percebe sobre o corpo da criança. Além disso, a ideia de “boa mãe” enraizada nos conceitos sociais é refletida através do crescimento e do peso do bebê. Para “guiar” as mães, ainda existe, no “inconsciente social”, a valorização de crianças com mais curvas (consideradas mais saudáveis) e de um perfil de alimentação distinto do aleitamento materno recomendado pelos médicos.

Formada em Enfermagem pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Joana se interessou ainda mais pela temática ao realizar residência no Hospital das Clínicas (HC) e se tornar professora substituta da área de Enfermagem Neonatal na UFPE. A pesquisa foi viabilizada com seu ingresso no Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente (PPGSCA) da UFPE e orientada pelas professoras Maria Gorete Lucena de Vasconcelos e Luciana Pedrosa Leal.

Para observar a percepção materna sobre o corpo dos filhos, Joana reuniu 14 mães de Ipojuca (PE) com filhos entre um e cinco meses de idade em aleitamento materno exclusivo. Após entrevistas nas quais as mães comentavam sobre fotos de bebês de diferentes pesos e sobre o que achavam sobre o corpo de seus próprios filhos, foi calculado o índice de massa corporal (IMC) de cada criança, a fim de comparar com o diagnóstico nutricional ideal e com o que era referido pelas mães.

“As mães classificaram a imagem dos filhos em aleitamento materno exclusivo corretamente quando o peso estava adequado, porém minimizaram as características da criança com risco para sobrepeso”, disse Joana. Nove mães obtiveram resultados correspondentes, enquanto apenas uma supervalorizou e quatro subestimaram a imagem de suas crianças. E são justamente essas quatro que refletem uma geração de mães que não atentam para a saúde do bebê.

A modificação dos hábitos alimentares logo no início da infância pode se transformar, mais adiante, em problemas de saúde para o indivíduo que convive com a obesidade desde cedo. Joana atenta para o trabalho do profissional de saúde, a fim de conscientizar as mães sobre a alimentação adequada. Após essa pesquisa, ela considera essencial um método que ressignifique a imagem corporal de bebês, como a busca de novos padrões juntamente com a mídia, para evidenciar “bebês-modelo” com menos curvas e demonstrar a importância do aleitamento materno exclusivo.

FONTE: Universidade Federal de Pernambuco

LINK:

http://www.ufpe.br/agencia/index.php?option=com_content&view=article&id=44958:imagem-corporal-de-bebes-reflete-o-pensamento-das-maes-sobre-alimentacao&catid=194&Itemid=77