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Quando algo no esqueleto dói

Quando algo no esqueleto dói

Poucos sintomas atormentam tantas pessoas como dores nos ossos e articulações. Elas resultam de esforços repetitivos, posturas erradas e tensão, da falta de exercícios físicos e do excesso de peso. Quem quiser evitar danos permanentes, deve se prevenir com antecedência. GEO explica as quatros “regiões críticas” mais importantes: coluna cervical e lombar, articulações coxofemoral e dos joelhos.

Quando algo no esqueleto dói

Poucos sintomas atormentam tantas pessoas como dores nos ossos e articulações. Elas resultam de esforços repetitivos, posturas erradas e tensão, da falta de exercícios físicos e do excesso de peso. Quem quiser evitar danos permanentes, deve se prevenir com antecedência. GEO explica as quatros “regiões críticas” mais importantes: coluna cervical e lombar, articulações coxofemoral e dos joelhos

 Estratégias contra o “pescoço duro”

Anualmente, entre 30 e 50% de pessoas de sociedades industrializadas queixam-se de dores nas vértebras da coluna cervical. Em decorrência desses sintomas, entre 11 e 14% dos casos registram limitação de movimentos. Como os órgãos dos sentidos localizados na cabeça são unidos com o restante do aparelho locomotor por meio da coluna cervical, os bloqueios que ocorrem na região do pescoço prejudicam toda a coordenação motora do corpo.

Na realidade, a coluna cervical é a parte de maior mobilidade do eixo central do corpo humano. Entretanto, nessa região os nervos raquidianos, que saem da medula espinhal e são responsáveis pelos braços, a cabeça e o tronco, estão muito próximos do entrelaçamento dos neurônios do sistema nervoso vegetativo e das artérias vertebrais que irrigam o cérebro. Movimentos bruscos, rigidez muscular e a pressão dos discos intervertebrais, ou ainda excrescências ósseas nas vértebras, contribuem rapidamente para uma compressão. Nessas eventualidades ocorrem as dolorosas síndromes da coluna cervical, que podem, inclusive, acarretar perigosas paralisias.

MÚSCULOS CONTRAÍDOS

Mulheres são afetadas por dores na nuca com maior frequência, e mais cedo na vida, do que os homens. Elas frequentemente exercem profissões que exigem uma postura que não é natural, por exemplo, à escrivaninha, diante do computador, ou na operação de máquinas industriais. O constante movimento para cima e para baixo da cabeça contrai os músculos trapézios, em forma de leque, que unem entre si a parte traseira da cabeça, as vértebras cervicais, as clavículas e as omoplatas. O tono muscular mais elevado provoca dores que se irradiam até os braços, a cabeça e o esterno. Essas contrações são chamadas de “síndrome cervical local”.

Quando nervos raquidianos comprimidos são a origem das dores, fala-se de “síndrome cérvico-braquial”. As causas podem ser uma arqueadura para a frente do anel fibroso do disco intervertebral, ou uma nova formação de matéria óssea nas bordas das extensões vertebrais cervicais, parecidas com ganchos (veja a ilustração). De acordo com a ramificação nervosa que está sendo comprimida, as dores se irradiam, mas a pessoa afetada também pode sentir formigamentos e falta de sensibilidade até os dedos.

Quando as artérias vertebrais ou o canal raquidiano são pressionados, ocorrem fortes crises de dores de cabeça, parecidas com enxaquecas, acompanhadas de sensações de tontura, zumbidos (tinnitus), além de perturbações visuais e de deglutição. Mas, ao contrário da verdadeira enxaqueca, nesses casos a intensidade da dor depende da postura da cabeça.

NADA COM VIOLÊNCIA

Síndromes cervicais e dores nos ombros são tratados inicialmente de modo conservativo, com aplicação de calor (banho quente, bolsa de água quente, um xale de lã) e medicamentos (analgésicos e relaxantes musculares, além de produtos contra inchaços). Isso melhora por pouco tempo o estado de irritação local, alivia a vértebra afetada e relaxa a musculatura contraída. A pressão também pode ser aliviada por meio da tração manual da coluna cervical, ou com a ajuda do chamado “colar de Glisson”, aplicados por fisioterapeutas ou médicos. Massagens são recomendadas apenas quando a fase mais aguda da dor já cedeu. Na quiropraxia, são permitidas suaves manipulação de extensão, enquanto a manipulação da espinha cervical, que envolve uma enérgica torção do pescoço, deve ser evitada a todo custo. A acupuntura pode tirar as dores.

OPERAR SÓ EM CASO DE URGÊNCIA

Quando as dores são agudas, em geral injeções ajudam: raízes nervosas irritadas são acalmadas com anestésicos de efeito local; inflamações são reduzidas com soluções esteroides de cloreto de sódio. Mas nesse caso, é particularmente importante que a agulha seja introduzida corretamente, uma vez que, em situações raras, podem ocorrer lesões da pleura ou até um colapso pulmonar.

Os médicos tornaram-se mais cautelosos em relação a cirurgias da coluna cervical. Às vezes, elas são necessárias após acidentes (“síndrome do chicote”). Em todo o caso, elas são indicadas apenas quando as dores são insuportáveis, e quando há o surgimento de paralisias (após um prolapso do disco intervertebral) ou a ameaça de danos duradouros na medula espinhal. Nesses casos existe o perigo de que veias e artérias vitais de irrigação possam ser interrompidas. Nas chamadas cirurgias de descompressão, protuberâncias ósseas resultantes da artrose são lixadas ou as vértebras são “amarradas” entre si para que sejam estabilizadas (é a chamada “fusão”). Para isso, cavilhas de ossos substituem discos intervertebrais. Mas esses tipos de intervenções estão bem no fim da lista das tentativas terapêuticas (ultima ratio, expressão latina que pode ser trazida por ‘último argumento’, ‘última opção’).

NADAR E DESCONTRAIR

Exercícios isométricos para o fortalecimento da musculatura da nuca, natação regular de costas, frequentes pausas durante trabalhos realizados à escrivaninha, uma posição saudável ao dormir (evitar travesseiros muito cheios e grandes e não deitar de bruços!) e um guidão não muito baixo na bicicleta podem proteger o pescoço de danos e lesões.

A COLUNA CERVICAL

A SÍNDROME CÉRVICO-BRAQUIAL persegue os afetados até no sono. Nesse caso, as dores descem do pescoço passando pelo ombro e chegam até a mão. A causa frequentemente é o encolhimento (atrofia) dos discos intervertebrais, cuja função amortecedora diminui, expondo as vértebras a pressões maiores. Estas, por sua vez, reagem com a formação de novos tecidos ósseos. Resultado: hérnias ou calcificações (osteófitos, vulgarmente chamados de “bicos de papagaio”) que aparecem nas bordas das vértebras endurecem o pescoço e pressionam os nervos espinais bem como a medula. Medidas preventivas: treinamento muscular e redução de estresse

A COLUNA LOMBAR

TUDO COMEÇA COM a protrusão, a projeção para frente do disco intervertebral. Ela resulta de uma pressão excessiva sobre a col una vertebral inferior, a região lombar. O núcleo pulposo, gelatinoso, do disco intervertebral começa a pressionar cada vez mais contra a parede do anel fibroso que o encerra. Formam-se pequenas rupturas e, em dado momento, o anel se rompe (prolapso): o núcleo pulposo é expelido para o interior raquidiano e comprime os nervos. Ou pode ocorrer uma hérnia sequestrada: quando um fragmento herniado migra para cima ou para o interior do forame. Recomendação para estes casos: fortalecimento e reconstrução da musculatura costal.

O elevado preço do andar ereto

Desgastes da coluna lombar vinculados à profissão estão entre os danos mais agravantes do aparelho locomotor. Chamadas vulgarmente de “dores nas costas ou lumbago” elas afetam de 30 a 40% dos adultos, e geram custos elevados aos sistemas sociais e de saúde. Estudos realizados na Grã-Bretanha, por exemplo, mostram que adultos jovens, em particular, estão, frequentemente, limitados em sua mobilidade. Só isso provoca anualmente a perda de 100 milhões de dias de trabalho no país.

As vértebras lombares localizam-se na extremidade inferior de nosso eixo central. Por causa disso, precisam suportar uma pressão particularmente intensa, embora a coluna vertebral seja construída de tal forma que os discos intervertebrais deveriam funcionar como amortecedores e manter a mobilidade, estabilidade e a resistência a impactos. Mas devido ao andar ereto do ser humano, são justamente essas vértebras inferiores que estão expostas às maiores exigências. Todo o peso de nosso corpo repousa sobre uma base de apenas poucos centímetros quadrados. Pela manhã, quando os discos intervertebrais se recuperaram dos esforços do dia anterior, uma pessoa jovem é entre 2 e 3 cm mais alta que à noite. Mas na idade mais avançada esses corpos gelatinosos não se regeneram mais de forma tão profunda.

DESGASTE PRECOCE 

Nossos amortecedores se desgastam rapidamente. Enquanto em uma criança pequena os discos intervertebrais ainda são alimentados com nutrientes por meio de vasos sanguíneos, essas canalizações de abastecimento se perdem em razão da pressão do aprender a andar. A partir desse momento, o disco intervertebral tem de se alimentar por osmose: ele suga seminutrientes de suas proximidades, e expele novamente produtos residuais resultantes – uma transformação que, nitidamente, piora a qualidade de seus tecidos e o sistema de alimentação. Além disso, o teor de água no núcleo do disco intervertebral cai de 90% no primeiro ano de vida para 75% na oitava década. A redução da capacidade amortecedora e diminuição da absorção de nutrientes já levam, a partir dos 30 anos, a um desgaste progressivo. Aos poucos o disco intervertebral vai murchando e acaba secando. O seu anel fibroso pode se romper e partes do núcleo gelatinoso se projetam para fora dele pressionando os nervos próximos.

APERTO ARRISCADO 

Na área da coluna vertebral inferior nervos espinais, ou raquidianos, saem dos chamados forames intervertebrais (as aberturas formadas pela articulação de duas incisuras vertebrais) que se estendem pela bacia e as pernas. Quando o corte transversal desses orifícios diminui porque nos inclinamos para o lado ou para trás e os maltratados discos intervertebrais não conseguem mais manter uma distância da vértebra, o espaço fica realmente apertado.

Setenta e cinco por cento de todos os problemas lombares originam-se precisamente aqui. Um abaulamento do disco intervertebral pode comprimir os nervos (a chamada protrusão); o núcleo gelatinoso do disco intervertebral pode ser completamente pressionado para fora de seu invólucro (prolapso); ou apenas uma pequena parte se separa e migra (sequestro). De vez em quando, articulações vertebrais são comprimidas e então friccionam dolorosamente (síndrome facetaria). Como todos esses processos ocorrem em um espaço altamente limitado, podendo tocar tangencialmente as fibras nervosas responsáveis por regiões muito maiores do corpo, o diagnóstico preciso muitas vezes é complicado. As chamadas “síndromes de dores não específicas” se irradiam por músculos e pele, pela região lombar e os pés, pela bacia e as articulações dos joelhos e podem, através de uma reação em cadeia, espalhar-se inclusive pelas regiões superiores do corpo. Hoje em dia, os procedimentos médicos de imagens são considerados menos elucidativos, porque as modificações que podem ser constatadas objetivamente na coluna vertebral e dores individuais raramente combinam. Muitas pessoas têm um problema de hérnia de disco (ou prolapso de disco intervertebral) e se dão conta disso.

Assim, muitas vezes as crises causadas por hérnias de disco ou outros problemas vertebrais só são tratadas de acordo com o procedimento de “tentativa e erro” (trial and error, em inglês): conservativamente com repouso ou ginástica e medicamentosamente com analgesia local através de injeções de procaína ou o emprego de corticoides (particularmente cortisona). A cirurgia aberta, na qual todo um disco intervertebral é extraído, dando origem a excrescências granosas, em geral é evitada. O procedimento padrão para retirar uma hérnia de disco, ou o tecido excedente de um disco intervertebral, é a microcirurgia, na qual os cirurgiões introduzem instrumentos e iluminação por um funil em uma pequena incisão e controlam a operação por meio de um microscópio.

PACIÊNCIA E TREINAMENTO MUSCULAR

Nos casos de dores lombares não específicas, a atual tendência é nitidamente a não operação. A experiência mostra que a excruciante dor inicial deve ser combatida com grande determinação logo de início e tempo (em vez de aguentá-la), para restabelecer a mobilidade o mais rápido possível. O que se recomenda nesses casos é uma cuidadosa mobilização por meio de exercícios de treinamento (para a irrigação do disco intervertebral) e, em seguida, o fortalecimento muscular (para sustentar o esqueleto).

TRABALHAR DE OUTRO MODO 

Um fortalecimento sistemático da musculatura do tronco, uma alimentação correta e balanceada (ingerir muito líquido!) e principalmente a readaptação ergonométrica do local de trabalho previnem muitos problemas de discos intervertebrais e hérnias.

Para que a bacia não fique quebradiça

Quando as células ósseas morrem mais rápido do que são reconstituídas, fala-se de osteoporose. Durante muito tempo essa perda óssea não se manifesta e não apresenta sintomas. Ela só é notada quando, mesmo em pequenos acidentes, já se quebra um osso. Fraturas particularmente frequentes são as do colo do fêmur, perto da junção com a bacia. Mulheres com mais de 45 anos de idade passam mais tempo em hospitais em consequência de fraturas ósseas resultantes da osteoporose do que, por exemplo, devido a ataques cardíacos ou câncer. Mas não só nas mulheres os ossos se tornam quebradiços: 1 em cada 8 homens também é afetado pelo problema.

No limite entre a parte superior e inferior do corpo, o chamado cinturão pélvico forma uma base estável do esqueleto humano. É aqui que se localizam os grupos musculares mais potentes e os ossos mais fortes do corpo encontram sustentabilidade. Mas é também aqui, entre as partes superior e a inferior, que os processos de perda óssea derivados da idade se manifestam primeiro. É sobretudo nas grandes vértebras lombares, nos colos de fêmures e nos ossos da bacia (particularmente o ilíaco) que a elaborada estrutura de células ósseas, sais calcários e fibras de colágeno começa a falir.

SQUELETO, UM CANTEIRO DE OBRA CONSTANTE

Durante toda a vida a substância óssea é construída e demolida. Os osteoblastos, as células formadoras de tecidos ósseos, expelem a substância básica de formação óssea durante tanto tempo até serem completamente envolvidos por ela. Depois disso, essas células são chamadas de osteócitos. Para que os ossos não continuem crescendo continuamente, eles dispõem de outras células, os osteoclastos, que asseguram a destruição do tecido ósseo. Setenta e cinco porcento dos ossos são constituídos de sais minerais, entre os quais o mais importante é o cálcio, que é embutido no tecido ósseo com a ajuda da vitamina D, formada sob influência da luz solar na pela, mas também absorvida através da alimentação.

Ates os 35 anos de idade, prevalecem os processos de formação e a massa óssea aumenta constantemente. Depois disso, ela começa a diminuir à razão de cerca de 1,5% ao ano. O hormônio da paratireoide (PTH ou paratormônio), secretado pelas glândulas paratireoideas, entra em ação quando o nível de cálcio no sangue diminui acentuadamente. Então ele estimula os osteoclastos a liberar cálcio dos ossos e transferi-lo para o sangue. Desse modo, a substância óssea é reduzida. Ao mesmo tempo, o corpo se esforça para absorver mais cálcio do intestino.

Finalmente, outro hormônio, a calcitonina da glândula tireoide, freia novamente a atividade dos osteoclastos. No metabolismo dos ossos, um importante papel é desempenhado pelo estrógeno, nas mulheres, e pela testosterona, nos homens.

O tecido ósseo, que no jovem adulto é resistente à pressão como arenito, e à tração como o cobre; que é flexível como arame de aço e elástico como a madeira de carvalho, acaba ficando podre e quebradiço. Sua estrutura interna decai, o esqueleto, literalmente, implode. No decorrer da vida, o equilíbrio entre construção e demolição das células ósseas sai dos trilhos por diversas razões. Falta de hormônios, além de alimentação errada, hipertireoidismo, falta de exercícios físicos e a ingestão de medicamentos corticóides durante períodos prolongados, como pode ocorrer em casos de asma e inflamações intestinais, danificam os ossos.

A EXCLUSÃO DOS HORMÔNIOS

A osteoporose em geral é diagnosticada precocemente por meio da chamada densitometria óssea. Para este exame servem diversos tipos de tomografias computadorizadas, bem como exames de absorciometria por dupla emissão de raios X (DXA, na sigla em inglês), um procedimento com emissão muito reduzida de radiação. O radiologista determina no fêmur ou nas vértebras da coluna lombar, o conteúdo mineral em gramas por centímetro cúbico. Se esse valor se distanciar mais de 20% do valor padrão de ume pessoa saudável de 30 anos, a osteoporose é considerada comprovada. De acordo com esses critérios de definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), 200 milhões de pessoas ao redor do planeta sofrem dessa doença de perda óssea. Outros peritos questionam se é viável comparar os valores de pessoas mais idosas com os de jovens, e só aceitam o diagnóstico de perda óssea a partir de uma diferença de, no mínimo, 30%.

O tratamento medicamentoso envolve, em primeira linha, a prescrição de comprimidos de cálcio e vitamina D, além da calcitonina e do fluoreto de sódio. O tratamento profilático de substituição hormonal por estrógenos, recomendado comumente no passado para as mulheres na menopausa, já vem sendo criticado há alguns anos, uma vez que está sob suspeita de aumentar os riscos de câncer de mama. Por essa razão, muitos médicos prescrevem bifosfanatos como substituição estrogênica. A utilização de células tronco, por exemplo, cuja ajuda deve possibilitar a regeneração de tecidos ósseos destruídos (Morbus Perthes), ainda se encontra em fase de testes experimentais, como na Espanha.

SUBIR ESCADAS E DANÇAR

Na prevenção racional de uma osteoporose figuram principalmente os meios caseiros, sem riscos, que provaram ser úteis: sol e ar fresco estimulam a produção natural de Vitamina D no organismo; a desistência de substâncias prazerosas, como bebidas alcoólicas, nicotina e cafeína impede a depleção indesejável de cálcio. Recomendados são uma alimentação balanceada e rica em cálcio (laticínios como ricota e queijos, laranjas, nozes e águas minerais) e musculação. A fraqueza da musculatura das coxas, frequentemente diagnostica em pacientes de osteoporose, e que favorece quedas, pode ser confrontada facilmente com exercícios como subir escadas, dançar e fazer longas caminhadas. E, em cursos específicos, pessoas mais idosas podem aprender como se cai corretamente, sem se machucar.

A ARTICULAÇÃO COXOFEMORAL

A OSTEOPOROSE, ou perda óssea, enfraquece todo o esqueleto de pessoas mais idosas, principalmente a coluna vertebral e a região da bacia. Não se sabe ainda exatamente o que provoca a desmineralização óssea e por que a delicada estrutura de células, fibras de colágeno e sais se torna porosa, esburacada. A perda de massa óssea pode ser particularmente intensa em mulheres nos primeiros 5 anos após a menopausa. Para evitar deformações dolorosas como a hipercifose (vulgarmente chamada de “corcunda”, o aumento ano rmal da concavidade anterior da coluna dorsal) ou fraturas do colo do fêmur. Os especialistas aconselham a prática de esportes e muita movimentação física

A ARTICULAÇÃO DO JOELHO

A ARTROSE, o desgaste das articulações, apresenta-se com frequência nos joelhos. Devido à sobrecarga extrema, durante toda a vida, o amortecedor condilar fica cada vez mais fino, menos elástico e mais rígido. Com o tempo, os tecidos ao seu redor podem se inflamar. Isso resulta em uma grosseira deformação das superfícies de contato e uma redução da capacidade de deslizamento da patela pelo côndilo femoral. Por fim, talvez haja uma ameaça do “endurecimento” da articulação. Um dos grandes fatores de risco é a obe sidade. Em razão disso, os médicos aconselham a perda de peso excessivo.

Pressão extrema sobre a maior articulação

Até 15% das dores sentidas no esqueleto surgem nos joelhos, a maior articulação que, devido às suas múltiplas funções e tarefas não é apenas particularmente complicada, mas também a mais requisitada por nós. As mulheres são 1,5 vezes mais afetadas que os homens. Um papel importante é desempenhado pela artrite, uma doença inflamatória das articulações que causa dores a uma entre cada três pessoas com mais de 60 anos. Articulações artificiais (próteses) estão sendo cada vez mais implantadas e não apenas em países industrializados, mas em nível mundial, com mecanismos especiais para o espaço asiático, onde as pessoas frequentemente se sentam no chão ou em bancos muito baixos. E em razão disso, a articulação é obrigada a se dobrar em um ângulo superior a 120º. Um dos fornecedores mais importantes nessa região é a Índia.

Como uma grande parte do nosso peso repousa sobre os joelhos, sua parte interna tem proteção dupla e tripla. Rótulas, ligamentos internos e externos, ligamentos cruzados, tendões, músculos e as cartilagens dos meniscos medial e lateral, que impedem que os ossos se desloquem lateralmente e mantêm o andar ereto “na linha”.

Para que também possa subir em alguma coisa, correr e erguer como se essas “dobradiças” estivessem lubrificadas, substâncias gordurosas, líquidos sinoviais, bursas ou bolsas sinoviais e tecidos cartilaginosos reduzem os atritos por fricção.

UANDO A CARTILAGEM SOFRE DESGASTE

Se nenhum acidente provocou danos aos joelhos, as alterações naturais nesta articulação geralmente só se apresentam após os 50 anos de idade. O tecido cartilaginoso deixa de poder armazenar tanta água como antes, o colágeno, parecido com um gel deslizante, perde sua elasticidade. A camada cartilaginosa que recobre as extremidades dos ossos torna-se mais fina, rígida e suporta menos pressão. O adensamento dos tecidos estreita as vias de trânsito dos nutrientes e a expulsão dos resíduos. Pois a cartilagem, uma estrutura semelhante a uma esponja como os discos intervertebrais, se alimenta por meio de processos de sucção e eliminação de líquidos sinoviais que banham a articulação do joelho dentro da cápsula articulatória. Quando o tecido sinovial inflama, ocorrem dores fortes, o joelho incha e a articulação enrijece. Uma inflamação artrítica pode acarretar uma artrose, ou seja, um desgaste mecânico das superfícies da articulação, e vice-versa.

MISTERIOSA ARTROSE

O processo de surgimento de uma artrose é complexo. Fatos mecânicos e bioquímicos agem em conjunto. Onde começa o processo? No osso ou na cartilagem? A origem estaria em enzimas hiperativas ou em um sistema imunológico hiperativo? O que provoca o processo do envelhecimento? Qual é o papel de exigências excessivas ou erradas da articulação, por exemplo, por meio de uma obliquidade pélvica, profissão, esporte ou uma musculatura fraca das pernas? Alguns especialistas consideram principalmente a obesidade acentuada ou o trabalho físico pesado como causas da exigência excessiva crônica e do desgaste precoce das articulações. Outros estão pesquisando fatores genéticos, que desempenham um papel no processo, mas de modo algum levam automaticamente ao surgimento de problemas. Sabe-se com certeza apenas que a cartilagem constitui o pivô do problema, mas que muitas outras estruturas como músculos, ossos, meniscos, ligamentos, tendões, tecidos gordurosos e bursas também têm sua participação nesse processo.

Além disso, o grau de desgaste da cartilagem não se correlaciona com a intensidade da dor. Durante muito tempo, a distância entre os ossos do joelho, visível em uma radiografia, era considerada como indicação para avaliar o grau da doença, quanto menor a distância, mais grave o dano, pois o tecido cartilaginoso não é visível em uma imagem de raio X. Mas de acordo com diagnósticos radiográficos, 70% dos americanos com mais de 70 anos sofrem de artrose, embora somente a metade deles também desenvolva dores sintomáticas. Lesões em ligamentos, tendões ou nos meniscos dos joelhos são diagnosticados hoje em dia por meio de tomografias de ressonância magnética.

Por isso, os médicos geralmente recomendam uma artroscopia como complementação de processos de imageamento tanto para fins diagnósticos como terapêuticos. Na artroscopia diminutos instrumentos cirúrgicos e microcâmeras são inseridos no joelho por meio de cânulas. Mas o método também é bastante controvertido, pois ele pode provocar lesões e infecções na articulação. Injeções de ácido hialurônico parecem aliviar as dores, mas são incapazes de eliminar suas causas. A maioria dos anti-inflamatórios tomados por via oral (produtos antirreumáticos não esteroides, NSAr) não são mais eficientes que a aspirina, mas prejudicam muito mais o estômago.

No caso de dores persistentes, pode-se injetar cortisona diretamente no joelho. Mas injeções frequentes não são recomendáveis. A acupuntura alivia a dor.

Melhor que qualquer terapia padrão é o tratamento com sanguessugas. Embora elas não possam deter a deterioração cartilaginosa, esses anelídeos, criados especificamente para fins medicinais, transferem uma mistura de diversas substâncias ao local da mordida que, em 80% das pessoas tratadas com esse método, reduziu consideravelmente as dores. O efeito desse tratamento dura cerca de 3 meses.

IOGA E TAI-CHI

Em vista das precárias condições de pesquisas, os especialistas preferem apostar em métodos suaves, nos chamados “exercícios de baixo impacto”: caminhadas moderadas, andar de bicicleta e nadar. A redução de peso e palmilhas amortizantes podem trazer alívio. E a prática de ioga e tai-chi também ajuda os joelhos.

FONTE: Revistageo uol

LINK:
http://revistageo.uol.com.br/cultura-expedicoes/23/artigo211720-4.asp